Rollemberg e a Nova Mídia: uma relação conturbada que marcou 2015

Por Fred Lima

Mesmo durante a campanha e no período de transição, Rodrigo Rollemberg já dava sinais de que seguiria o mesmo caminho de seu antecessor, Agnelo Queiroz, que passou quatro anos no Palácio do Buriti trancado no gabinete, sem conceder entrevistas à Nova Mídia, isto é, a blogosfera política, jornais comunitários e web rádio, algo que fez o petista se arrepender no final de seu mandato. Por quê? Os blogs criticam para o governo ceder aos seus caprichos e autorizar mídia publicitária? Não é DE FORMA ALGUMA o caso deste blogueiro e de vários outros.

Como em um cesto de frutas, sempre existe aquela que ultrapassou o processo de amadurecimento e apodreceu. Pode ter blogueiros que topam flertar com o submundo da política, seguindo a máxima: “Dinheiro na mão, calcinha no chão. Dinheiro sumiu, calcinha subiu”. Isso não acontece apenas com a Nova Mídia, mas também com a mídia tradicional. Infelizmente a corrupção está presente em todos os setores da sociedade, inclusive na imprensa. Agora quer dizer que, porque dois ou três são assim, todos devem ser taxados de “vendidos”, como ouvi certas figuras nefastas da política local dizer que eu era? Claro que não.

No meu caso, não abro mão das minhas convicções para falar bem ou mal de sicrano ou beltrano com o intuito de favorecimentos. Esse espaço não é o mural da quinta série, onde cada um vai lá escreve e apaga quando quiser. Se ficar constatado durante a apuração que uma informação é verídica, publico sem pensar.

Outra coisa que os políticos da capital precisam entender é que blogueiros e jornalistas não são perfeitos. Podemos exagerar, atenuar e cometer erros que são passíveis de qualquer ser humano. Mesmo assim, um trabalho sério não pode cair no conceito de alguns apenas porque cometeu excessos ou deixou de enfatizar algo em algum momento.

Aproveito inclusive para pedir desculpas àqueles que sentiram “ofendidos” ou “perseguidos” por este blog durante o ano. A intenção não foi essa. O problema é que deixar de falar de alguém ou algo que esteja atrapalhando um governo e prejudicando a população é inadiável. Não dá para amenizar em uma situação assim.

Secretários do GDF e chefes de órgãos vinculados ao governo procuraram a blogosfera política para apresentar seus trabalhos e expor suas versões com relação a algum assunto polêmico, como no caso do ajuste fiscal, por exemplo, na reunião que tivemos com a Secretaria de Fazenda, que apresentou em primeira mão aos blogueiros políticos a versão deles sobre o ajuste.

Só que muitos blogueiros ainda têm o pressentimento de que o governador não olha com bons olhos para nós. Vamos perder noites de sono por causa disso? Jamais. Se seguirmos o famoso ditado de George Orwell, que diz que “jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique…”, então estamos no caminho certo.

Durante 2015, a blogosfera política incomodou muita gente, expôs acontecimentos que estavam sendo escondidos e irritou bastante aqueles que fazem política sem olhar para os anseios do povo.

Preparem-se, pois vamos continuar assim em 2016. Se o GDF vai ou não conceder mídias publicitárias para os blogs é outro assunto. Não podemos confundir algo institucional e legalizado com as linhas editoriais de nossos trabalhos. Se o governo ou alguns blogueiros confundem, não é da minha conta e de muitos outros que fazem um trabalho sério e respeitado.

Os políticos deveriam entender que os veículos que publicam só as boas ações deles não são confiáveis. “Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem”, já dizia Santo Agostinho. Foi ou não o que a mídia convencional fez durante os quatro anos de governo Agnelo, e deu no que deu?

Críticas e denúncias fazem parte do sistema democrático brasileiro e, quando verídicas, podem favorecer o Executivo, o Legislativo e o Judiciário a desempenharem melhor suas funções com isonomia.

Para aqueles que ainda não entenderam a nossa missão e acham-na “moderninha”, “livre” e “perigosa” demais, aprendam com Arthur Sulzberger Jr., editor do The New York Times: “O futuro do jornalismo é crescentemente digital e crescentemente global”.

E que venha 2016!

Da Redação

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