Impeachment é decisão política. Tchau!

 

Carlos Augusto Pinto é Jornalista Profissional – MTPS/RJ 1184JP, SJP/DF 1759, foi repórter das rádios Tupi e Nacional (Rio), Globo (SP) , Jornal do Commercio, Última Hora e Jornal dos Sports (Rio); Manchete (Rio e Recife), Fatos, Ele & Ela, Tendência (Rio); repórter político desde 1987 em Brasília. Soltou pipa, foi baloeiro, jogou bola de gude, frequentou o Maracanã e as noites da saudosa Cidade Maravilhosa.

Por Carlos Augusto

 

Os vinte e cinco votos a mais obtidos pela oposição (precisava de 342 e apareceram 367) podem ser resultado de uma palavra: entendimento. Entendimento quer dizer faculdade pela qual o espírito se apodera das ideias e as compreende. Inteligência; juízo e maneira de pensar faltaram à presidente Dilma Roussef nos últimos tempos. Explosiva, a ex-guerrilheira e ex-chefe da Casa Civil de Lula costuma pensar com o fígado , e seu “inventor” sempre soube disso.  Só que ele sabe usar a civilidade e cortesia em assuntos particulares quando quer obter o que deseja. Dilma não. Dilma não gosta de políticos e os trata com desprezo e agora está pagando um preço altíssimo perante a história.

Mas foi justamente um parlamentar considerado elegante e cerimonioso (Bruno Araújo/PSDB-PE) que entre lágrimas consagrou  o voto de número 342. Horas antes, Bruno Araújo conversara rapidamente, perto do Comitê de Imprensa da Câmara,  com o  líder do Governo, José Guimarães (PT-PE) aceitando o convite para uma “conversa amistosa na segunda-feira” em nome da união nacional, sem se importar com a presença deste repórter. Era o sinal de que o representante do governo Dilma já havia “jogado a toalha” e a votação mal havia chegado a metade. Política é isso. Política é para quem tem o senso de compreensão, exemplo mal dado nas últimas semanas pelo ex-deputado e atual ministro da  AGU, José Eduardo Cardoso, um histriônico advogado que insiste em ignorar que a palavra política vem do grego polítika, uma derivação de pollis, aquilo que é público, antônimo de privado. A Advocacia Geral da União é um órgão público e foi transformada em escritório particular da presidente Dilma para rebater as trapalhadas da petista com as finanças públicas e está previsto na Constituição que isto é “passível de abertura de processo de impeachment (ocasião em que as contas públicas são falseadas)” as tais pedaladas fiscais.

Não houve golpe nenhum com a aceitação da denúncia encaminhada ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e por ele aceita. Golpe com processo tramitando abertamente  na Comissão Especial de Impeachment? Golpe com o Supremo Tribunal Federal  coordenando o processo o tempo inteiro através de pareceres? Golpe com as televisões transmitindo ao vivo? O presidente da Câmara presidiu corretamente o processo. Não há o que discutir. E é bom lembrar que na Comissão de Ética o PT demorou demais a se posicionar por exigência do Palácio do Planalto,  que queria tê-lo como aliado, porque quando ela – a Comissão – foi constituída, já havia desembarcado na mesa Diretora o pedido de impedimento assinado por Janaína Pascoal, Miguel Realle Junior e Helio Bicudo, juristas consagrados, e Cunha era o único personagem na Câmara com poder de acatá-lo. Cunha assim procedeu, quando foi emparedado pelo Planalto e não pode mais contar com os três petistas escalados pelo Partido dos Trabalhadores. Foi vingança do peemedebista carioca? Muito provável. Ele é réu na Lava Jato? Sim, mas é um político nato. Sabe se entender e ser entendido. O tempo fechou de vez para a presidente Dilma. Agora só o Senado. O peemedebista alagoano, Renan Calheiros não vai segurar essa batata quente. Anotem: ele não vai demorar a tocar o processo. Tchau.

 

*Os artigos aqui publicados são de autoria do colunista e não refletem, necessariamente, a linha editorial do blog.

 

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