Exageração de sentimentos

 

Carlos Augusto Pinto é Jornalista Profissional – MTPS/RJ 1184JP, SJP/DF 1759, foi repórter das rádios Tupi e Nacional (Rio), Globo (SP) , Jornal do Commercio, Última Hora e Jornal dos Sports (Rio); Manchete (Rio e Recife), Fatos, Ele & Ela, Tendência (Rio); repórter político desde 1987 em Brasília. Soltou pipa, foi baloeiro, jogou bola de gude, frequentou o Maracanã e as noites da saudosa Cidade Maravilhosa.

Por Carlos Augusto

 

Não se enganem. No momento, a ex-presidente Dilma Rousseff poderá participar de qualquer eleição ou ser nomeada para algum cargo público. Mas poderá manter esses direitos por menos tempo do que se imagina.

A bancada do PSDB se reunirá nas próximas horas para fazer o que mais gosta: discutir. E discutirá muito. O tema é delicado: recorrer ou não ao Supremo Tribunal Federal para anular a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, que acatou o pedido do PT e da REDE (partido controlado pela ex-senadora Marina Silva) para que o afastamento definitivo de Dilma fosse votado separadamente da outra questão normal aos políticos mortais: se o mandato eletivo vai para o espaço, os direitos políticos voam junto, no mínimo, por oito anos.

Aécio Neves, Ronaldo Caiado, Cássio Cunha Lima e muitos outros caciques da política nacional apostam que essa história de salvar os direitos políticos de Dilma nasceu da sagacidade de Renan Calheiros, que olhou para o próprio umbigo e percebeu que a Lava-Jato lhe provoca sombra. Fato é que, se o senador alagoano um dia for condenado pelo Supremo Tribunal Federal, recorrerá a isonomia e vai querer os mesmos direitos garantidos à ex-presidente Dilma. Não há a menor dúvida.

Tem mais. Vem aí o julgamento final de Eduardo Cunha, o bandido preferido do ex-deputado Roberto Jefferson (controlador-geral do PTB), aquele que delatou o hoje presidiário José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil de Lula. Jefferson, ao dedurá-lo, o apontou como o paizão do mensalão, escândalo que acabou dando origem ao petrolão e outras patifarias da era petista.

E se Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, for cassado pelo plenário? Vai se candidatar novamente em 2018? Terá condições legais de ser nomeado para algum cargo público imediatamente?

Entenderam agora o espírito da coisa?

 

*Os artigos aqui publicados são de autoria do colunista e não refletem, necessariamente, a linha editorial do blog.

 

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