Agnelo, Arruda, Robério e Gim Argello estão na lista de Janot

A inclusão deles coloca a política local no olho do furacão da força-tarefa da Lava Jato. Eles deverão ser alvo de investigação

 

A segunda edição da lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entregue nesta terça-feira (14/3) ao Supremo Tribunal Federal (STF), tem nomes de políticos brasilienses. Pelo menos dois ex-governadores, um ex-senador e um deputado distrital foram citados nas delações dos executivos e ex-executivos da Odebrecht. José Roberto Arruda, Agnelo Queiroz (PT), Gim Argello e Robério Negreiros (PSDB), respectivamente, colocam a política local no olho do furacão da força-tarefa da Lava Jato e deverão ser alvo de investigação.

A Odebrecht, em parceria com a Via Engenharia, construiu o Centro Administrativo do GDF (Centrad) em Taguatinga. O contrato foi firmado na gestão de Arruda e a obra finalizada durante o mandato de Agnelo Queiroz. Até hoje, o local permanece ocioso, com uma série de questionamentos feitos pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e Tribunal de Contas do DF (TCDF). Os gastos com o empreendimento ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão.

Arruda e Agnelo já tinham entrado na mira de Janot após delação do ex-presidente da empresa Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo. Ele afirmou que os ex-governadores “embolsaram comissões” para favorecer a empresa nas obras do monumental Estádio Nacional Mané Garrincha, de quase R$ 2 bilhões.

Gim Argello foi condenado a 19 anos de prisão e está preso em Curitiba (PR) por cobrar propina de empreiteiras para livrá-las de depoimento na CPI da Petrobras, quando ele ainda ocupava cadeira no Senado.

As revelações de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, atingiram Robério Negreiros. Segundo o executivo, o tucano brasiliense recebeu uma doação de R$ 50 mil da empreiteira para a sua campanha eleitoral.

Melo Filho contou que foi procurado pelo sogro do parlamentar, Luiz Carlos Garcia. “Ele foi a meu escritório e fez uma solicitação de pagamento de campanha para seu genro, Robério Negreiros. Eu disse a ele que não tinha relações com deputados distritais e não era meu objetivo ter”, disse.

“Para ajudar a um amigo, solicitei à empresa que realizasse o pagamento, pois, em algum momento no futuro, poderíamos ter interesses locais a serem defendidos no Distrito Federal”, completou.

Roberto Negreiros nega haver ilegalidade na doação. “”Meu nome foi citado por uma pessoa que não conheço (Cláudio Melo Filho),  relatando uma conversa que não veio ao meu conhecimento,  sobre uma doação feita ao PMDB”, listou o distrital. “O que eu sei é que esse valor citado por ele, de fato, veio do partido para minha campanha. Mas foi devidamente contalibizado nas contas aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE)”, garante o distrital.

Sigilo
A lista completa e o conteúdo das delações ainda estão sob sigilo. Janot enviou ao STF 83 pedidos de abertura de inquérito para investigar políticos na Lava Jato. A iniciativa foi tomada a partir dos acordos de delação premiada firmados com 77 executivos e ex-executivos das empresas Odebrecht e Braskem.

Também foram solicitados 211 declínios de competência para outras instâncias da Justiça, nos casos que envolvem pessoas sem prerrogativa de foro, caso de Arruda e Agnelo, além de sete arquivamentos e 19 outras providências. (Metrópoles)

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