Após nova assembleia, professores do DF decidem manter greve por tempo indeterminado

Professores decidiram manter, por tempo indeterminado, a greve que já dura 21 dias. Eles se reuniram na manhã desta terça-feira (4) na Praça do Buriti, em frente a sede do Governo de Brasília, para avaliar a proposta feita pela Secretaria de Educação à categoria. A pasta afirmou que contará com até R$ 100 milhões para atender reivindicações, mas o montante deve servir, inclusive, para as demais categorias que pleiteiam recursos financeiros.

Segundo o governo, a quantia deverá ser aplicada em pagamentos de pecúnias, como licenças-prêmio, mas não inclui aumento de auxílio-alimentação ou saúde, que compõem as reivindicações dos docentes. O pagamento, inclusive, dependerá da disponibilidade de caixa do Tesouro. “O governo espera que a parcela de professores que ainda permanece em greve retorne imediatamente às salas de aula”, diz documento divulgado pelo GDF.

Agora, os docentes fazem uma caminhada até a Câmara Legislativa para pressionar parlamentares a intercederem ao GDF para que apresente proposta à categoria. A marcha vai bloqueia duas faixas da via N1 até a altura do Memorial JK, onde farão a volta até a CLDF.

“A proposta do governo não atende a categoria, não quita sequer as licenças-prêmio. Se não apresentarem algo exclusivo para os professores, a tendência é que o movimento grevista se mantenha”, garante Samuel Fernandes, diretor do Sindicato dos Professores (Sinpro). De acordo com ele, 60% dos docentes estão fora das escolas em função da assembleia geral.

Não há qualquer reunião agendada pelo governo com a cúpula negociadora da entidade, mas os sindicalistas esperam ser recebidos para uma nova negociação. A Polícia Militar estima 1,5 mil professores na praça. O Sinpro conta pelo menos 5 mil.

Professora de artes cênicas aposentada há mais de 20 anos, Holanda Carvalho é figura carimbada nos atos de professores. Sempre fantasiada, desta vez carrega uma grande cruz sobre a cabeça. “Vim fazer uma reza forte para ver se o governo intercede por nós”, explica a mulher de 74 anos. De acordo com a docente, a categoria precisa se reunir para cobrar valorização.

Os professores entraram em greve em 15 de março, junto a uma mobilização nacional. Eles pedem por reajuste salarial de 18%, melhores condições de trabalho e, principalmente, o pagamento da última parcela do reajuste aprovado em 2013 na gestão de Agnelo Queiroz. A categoria tem mantido vigílias na praça do Buriti. Por diversas vezes, porém, o GDF descartou a possibilidade de reajustar vencimentos e quitar a dívida do aumento concedido pela gestão anterior com base no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na semana passada, a Justiça considerou o movimento ilegal e determinou o imediato retorno dos docentes à sala de aula, fixando em R$ 100 mil a multa diária por descumprimento. O ponto de professores efetivos e temporários foi cortado pelo governo.

*Aguarde mais informações

 

(JBr)

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