Agnelo Pacheco e Câmara Legislativa: erros que podem ser evitados

 

Por Fred Lima

 

Criada pelo publicitário Agnelo Pacheco, a Agnelo Comunicação, empresa do ramo de publicidade, acabou conquistando seu espaço nas licitações do Governo de Brasília e da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O que parecia ser uma empresa de excelência no setor, com o tempo se revelou uma agência com diversos problemas internos, sendo até alvo da Operação Acrônimo, da Polícia Federal.

Com atrasos de pagamentos aos veículos de comunicação e graves problemas de organização interna – de acordo com a empresa, os pagamentos não estão sendo realizados pela falta de procurador para autorizar –, a Agnelo não está apenas perdendo a credibilidade como agência de outrora, mas levando indiretamente seus clientes junto, incluindo a Câmara Legislativa.

Ontem (1), blogueiros indignados com o atraso de pagamento de uma publicidade veiculada em dezembro, criticaram duramente a Agnelo Pacheco e a Câmara, tendo em vista que até hoje o serviço não foi faturado. São mais de cinco meses de atraso. Em resposta, a Câmara Legislativa alegou que “(…) suspendeu novos pagamentos à agência Agnelo até que fossem normatizados os repasses aos fornecedores e veículos que prestaram serviços à agência visando as veiculações da CLDF”. Continua a nota: “Ao mesmo tempo, lembramos que não há contrato da CLDF com os fornecedores e veículos, atendendo as determinações legais que obrigam que as veiculações sejam feitas por meio de agências, devidamente licitadas”.

O papel de fiscalizar e regular continua sendo do cliente, isto é, da Câmara Legislativa, mesmo terceirizando os serviços de publicidade a uma agência. Por este motivo, o argumento de que “quem pariu Mateus, que o embale”, não pode ser utilizado para desculpar atrasos exorbitantes. Uma gestão não pode fazer como Pôncio Pilatos, ou seja, lavar as mãos para os contratos fechados na administração passada. A institucionalidade de um órgão deve prevalecer diante do individualismo de seus gestores.

Tanto a Câmara quanto o GDF deveriam criar grupos de trabalho para fiscalizar o cumprimento das obrigações contratuais das agências, os chamados gestores de contrato, que até existem no papel, mas não são suficientes para impedir que graves erros possam ser cometidos pela contratada. Grupos precisam ser formados para fiscalizar e evitar problemas como esse.

Poder paralelo?

Na Câmara Legislativa, o presidente é Joe Valle (PDT), eleito em dezembro passado. Porém, na prática, o comentário que se ouve nos bastidores da Casa é que o vice-presidente, Wellington Luiz (PMDB), manda mais que o presidente, a ponto de comandar a poderosa área de comunicação, responsável pelas campanhas publicitárias e por todo o contato com a imprensa da cidade. O coordenador de Comunicação é o renomado jornalista Paulo Gusmão, braço-direito de Wellington.

Com um suposto poder paralelo e não conseguindo ainda imprimir a imagem de sua gestão, Valle patina e se vê refém dos aliados que o apoiou na eleição da Mesa Diretora. O presidente do legislativo tem boas intenções, mas falta ousadia e criatividade, características necessárias para mudar o que está errado.

Na Câmara, existem várias caixas pretas (incluindo a da publicidade), e abri-las em um cenário político desgastante como o atual pode trazer sérias retaliações de outros deputados. Neste caso, Joe nada pode fazer, e sua chegada à presidência, vista com ares de independência ao Executivo, acabou se tornando total dependente dos colegas que o elegeram.

 

* Fred Lima é jornalista graduado pelas Faculdades ICESP/PROMOVE. É Presidente de Honra da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno (ABBP).

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