2018: o ano do acerto de contas ou ‘mais do mesmo’

 

Por Fred Lima

 

2018 promete ser um dos anos mais efervescentes da política brasileira. A corrupção sistêmica vem sendo descoberta; personagens até então intocáveis vivaram manchetes nas páginas policiais; algumas instituições caíram no descrédito popular; e nomes novos surgem no cenário como alternativa à velha fórmula de governar e legislar. Se vão realmente manter o decoro, caso sejam eleitos, é outra história.

Tudo indica que será uma eleição disputadíssima para os cargos majoritários. Lula está na dianteira das últimas pesquisas, mas o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) pode condená-lo em segunda instância no próximo dia 24. Se o petista for impedido de disputar o pleito, Ciro Gomes (PDT) deve ser o candidato da esquerda, com o apoio do próprio Lula.

Jair Bolsonaro (PSL) aparece em segundo lugar, mas seu discurso autoritário só agrada o seguimento da direita radical no país. A população pobre não o vê com bons olhos, nem a mídia. Além disso, seu partido é nanico e deverá ter menos de 20 segundos na TV, um grave problema para quem precisa se tornar mais conhecido entre as massas. A aposta do deputado federal será nos debates televisivos.

No PSDB, Geraldo Alckmin é o candidato do partido até o momento. O presidente dos tucanos, apelidado de “picolé de chuchu”, vai ter que mudar o discurso da avenida Paulista para o do povão, se quiser subir a rampa do Palácio do Planalto em 2019. Na campanha de 1994, o então candidato Fernando Henrique Cardoso subiu até em cima de um cavalo, usando chapéu de couro, no nordeste, surfando no sucesso do Plano Real. Alckmin vai ter que seguir a cartilha vitoriosa do ex-presidente, mas sem o Real como vitrine.

Em Brasília, Rodrigo Rollemberg (PSB) tentará a reeleição, com pouca chance de ser reeleito, de acordo com as últimas pesquisas. Mesmo assim, nada é impossível na política, e o governador pode tentar reverter sua rejeição e surpreender no final. Para isso, vai ter que mostrar serviço até julho e melhorar a imagem de sua gestão perante o brasiliense. Se não o fizer, a dificílima reeleição se tornará mesmo impossível, como foi a do seu antecessor, Agnelo Queiroz (PT).

Jofran Frejat (PR), candidato derrotado por Rollemberg na eleição passada, surge em primeiro lugar nas pesquisas. Todavia, seu afastamento do grupo da direita, composto por Alberto Fraga (DEM), Izalci Lucas (PSDB), Alírio Neto (PTB), Tadeu Filippelli (PMDB) e Eliana Pedrosa (Podemos) o tem isolado e pode prejudicá-lo na composição de chapas. A falta de definição do ex-secretário de Saúde é outro problema. Por causa de sua idade avançada, Frejat ainda não sabe se vai disputar o GDF ou o Senado. O Palácio do Buriti é uma dor de cabeça e tanto do ponto de vista emocional para um senhor com mais de 80 anos.

Os demais pré-candidatos ao Governo de Brasília também trabalham com um plano B, mesmo que neguem publicamente. Se não decolar nas pesquisas, Fraga pode concorrer a mais um mandato na Câmara dos Deputados ou ao Senado. Izalci não tem o apoio da ex-governadora  Maria de Lourdes Abadia, que é secretária de Rollemberg, e do deputado distrital Robério Negreiros. O PSDB-DF está dividido. Alírio é uma promessa, mas seu calcanhar de Aquiles é o fracassado governo Agnelo, onde foi secretário de Justiça. Filippelli, o vice da gestão passada, da mesma forma. Eliana está fora da política há quatro anos, como Alírio. Dificilmente sairá candidata ao Buriti. A Câmara Legislativa do DF deve ser o seu destino.

A conjuntura política nacional e local ainda está cinzenta e indefinida. A única coisa que se sabe é que 2018 poderá ficar marcado como o ano do acerto de contas com os personagens da velha política ou a continuidade do “mais do mesmo”.

Você vai decidir.

 

Da Redação

 

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