Lula, que um dia foi Chico, se tornou Francisco e acabou recebendo uma paulada do STF

 

Por Fred Lima

 

Por seis votos contra cinco, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou na madrugada desta quinta-feira (5) o pedido de habeas corpus do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT). Com o voto de minerva, a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, votou com o relator, ministro Edson Fachin, que negou recurso contra prisão em segunda instância.

Se fosse avaliado de forma isolada, o preceito da presunção de inocência salvaria o pescoço de Lula, mas na avaliação da presidente do STF, tal prerrogativa deve ser considerada de acordo com cada caso.

“Continuo com a coerência que marcou meu voto desde 2009. Juntei vencida no habeas corpus, em 2009, embora naquela época, dos quatro ministros, apenas eu ainda esteja aqui. Segundo o que então se entendeu, esses dispositivos revelam que pode haver prisão independentemente do trânsito em julgado em diversos casos e ocasiões”, afirmou.

O que chamou a atenção foi a defesa de Lula, que é surreal, a ponto de ter solicitado que Cármen Lúcia não votasse, interpretando erroneamente o regimento interno da Corte. Se brincar, a defesa agora vai clamar o Justo Juiz, para que o réu seja julgado por Ele, não mais pelo tribunal dos homens. Só que o ex-chefe do Planalto tem contra si o sétimo mandamento: “Não roubarás”.

Julgar um ex-presidente, que figura em primeiro lugar na última pesquisa de intenção de voto, acaba sendo algo penoso. Se não contasse com o apoio popular e não fosse ex-presidente, Lula provavelmente já estaria atrás das grades. Eis o principal motivo do processo contra ele ter tramitado em todas as instâncias de forma bastante gradual e minuciosa.

No meio político, José Sarney, Renan Calheiros e outros personagens das oligarquias tradicionais saem da toca para defender o ex-presidente, questionando a legitimidade das decisões judiciais que o incriminam. No passado, eram atacados por ele. Coisas da velha política.

Com a negação do pedido de habeas corpus, o PT vai correr contra o tempo para transformar Lula em Nelson Mandela, mesmo que a prisão do líder africano tenha sido por um motivo muito diferente do possível encarceramento do petista.

Cabe agora à Justiça bater o martelo sobre o processo que tramita contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que é tão repugnante quanto os demais escândalos. O tucano foi flagrado por meio de gravação telefônica, o que não ocorreu com Lula. O seu retorno ao Senado é uma das páginas mais sujas de nossa história, quando a Casa derrubou decisão do STF de afastá-lo do cargo.

A lei não pode ter lado, nem julgar medindo a importância ou classe social de qualquer indivíduo. O pau que bate em Chico tem que bater em Francisco. Lula já foi Chico. Hoje, como Francisco, quer passar a imagem de que está sendo perseguido por favorecer os Chicos do Brasil. Conversa (a)fiada.

 

Da Redação     

 

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