Ministro da Justiça confunde a PF com o SNI

 

Por Fred Lima

 

Deu na Folha:

A nova manifestação da PF sobre o grampo de Joesley Batista com Michel Temer irritou do Planalto. O ministro Torquato Jardim (Justiça) vê a corporação engajada, “manipulando diálogos e fazendo vazamentos”. “A preocupação é institucional. Há quebra de lealdade entre as instituições”, diz.

Ponto de vista

A declaração do ministro é algo surreal e remete aos tempos de José Eduardo Cardozo na Advocacia-Geral da União, quando o petista fazia mais o papel de advogado pessoal da presidente afastada Dilma Rousseff no processo de impeachment, que da AGU, outra instituição independente, que, aliás, não tem nenhuma vinculação com os Três Poderes.

A que lealdade Jardim se refere? A de que não se pode investigar e concluir que o chefe da nação tentou comprar o silêncio de Eduardo Cunha? Que garantias ele dá para chegar à conclusão de que Temer é inocente?

A PF é vinculada ao Ministério da Segurança Pública, mas investiga de forma autônoma. Do contrário, se transformaria em um departamento policial de atuação política, sendo impedido de investigar figurões do governo. Parece que é a isso que Torquato se refere e espera dos agentes federais, uma “lealdade” que blinda Temer e os caciques do Planalto.

Talvez o ministro da Justiça queira que a PF seja uma espécie de Serviço Nacional de Inteligência (SNI), extinto pelo então presidente Fernando Collor de Mello, em março de 1990. O SNI fazia o papel de órgão investigador em favor dos presidentes militares, espionando opositores do regime e fornecendo informações sigilosas para o alto escalão do Planalto.

Com Torquato na Justiça, o presidente ganhou um defensor à la Cardozo, que cobra “lealdade” da polícia por cumprir o seu papel, que é investigar qualquer cidadão, do chefe do Executivo ao faxineiro.

 

Da Redação

 

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