A caça de pelo em ovo na corrida ao Buriti. Ou: ‘Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é’

 

Por Fred Lima

 

Até o momento, sete pré-candidatos almejam disputar o Palácio do Buriti. São eles: Jofran Frejat (PR), Rodrigo Rollemberg (PSB), Eliana Pedrosa (PROS), Izalci Lucas (PSDB), Paulo Chagas (PRP), Alexandre Guerra (Novo) e Fátima Sousa (PSOL). Entretanto, o peso da cobrança recai somente sobre a pré-campanha de Frejat, um verdadeiro puritanismo requerido pelos demais concorrentes: o de que todos (não somente o pré-candidato) devem ser fichas-limpas, como se nas outras pré-campanhas não tivessem apoiadores enrolados na Justiça.

Eliana, Joaquim Roriz Neto e Jaqueline Roriz. Reprodução

O próprio Izalci, por exemplo, é investigado em três inquéritos. Eles são da época na qual o tucano ocupou o cargo de secretário de Ciência e Tecnologia, na administração de José Roberto Arruda. Os casos envolvem desvios de recursos públicos, constrangimentos sofridos por servidores do Programa de Inclusão Digital e o “sumiço” de bens doados pela Receita Federal e pelo Tribunal de Contas da União à pasta. Mesmo não sendo alvo de nenhuma investigação, Frejat é mais cobrado pelos opositores que o pré-candidato do PSDB.

O mensaleiro Roberto Jefferson com Alírio, vice de Eliana. Reprodução

Eliana tem avalistas investigados e barrados, como a ex-deputada Jaqueline Roriz, flagrada recebendo dinheiro da Operação Caixa de Pandora, além da distrital Liliane, sua irmã, que está inelegível. O presidente nacional do PROS, Eurípides Júnior, se encontra no olho do furacão chamado Lava Jato. Alírio Neto (PTB), vice de Pedrosa, é presidido pelo mensaleiro Roberto Jefferson. No lançamento de sua pré-candidatura posou para fotos ao lado da filha do presidente petebista, Cristiane Brasil, que protagonizou o vexatório episódio nacional quando tentou ser ministra do Trabalho.

Lista de governadores entregue por delator da JBS ao MPF (Foto: Reprodução)

A pré-campanha de Rollemberg bate no peito afirmando não ter envolvidos em escândalos, mas o próprio governador está na lista da JBS por suposta propina, como divulgado em maio de 2017 pelo G1. O Buriti nega o recebimento, mas a suspeita permanece no ar.

Apenas os pré-candidatos Alexandre Guerra, Paulo Chagas e Fátima Sousa não têm cabos eleitorais encrencados, o que também não quer dizer muita coisa. O que vale é não nomear fichas sujas, medida que deve ser um compromisso de campanha de todos os pré-candidatos. Entretanto, receber apoio acaba sendo um gesto inegável no atual contexto político.

Favorito, Frejat acaba sendo o alvo principal dos opositores. Assim caminha a velha política, seguindo a máxima de Lênin:

Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é

 

Da Redação

 

One thought on “A caça de pelo em ovo na corrida ao Buriti. Ou: ‘Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é’

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *