Buriti 2018: FHC, em 85, e Cristovam, em 98, são exemplos de que o ‘já ganhou’ é um Titanic premeditado

Foto: Reprodução

 

Por Fred Lima

 

A eleição para o Governo do Distrito Federal nem começou, mas a perigosa síndrome do “já ganhou” vem se alastrando entre alguns pré-candidatos e seus asseclas. Supostas pesquisas internas estão servindo como combustível dos cabos eleitorais nas redes sociais, lembrando que, de acordo com a legislação vigente, divulgação de pesquisa eleitoral não registrada pode resultar em multa de até R$ 106 mil.

O clima de vitória antecipada é um Titanic premeditado. Na eleição de 1985 para a Prefeitura de São Paulo, o então senador Fernando Henrique Cardoso (PMDB) disputava com Jânio Quadros (PTB-PFL) a cadeira de prefeito da maior cidade do país.

Dias antes do pleito, FHC havia acatado uma sugestão de jornalistas para que posasse instalado no gabinete do prefeito Mario Covas, seu correligionário, em 14 de novembro. Resultado: perdeu a disputa por pequena diferença para o concorrente.

Os levantamentos davam vantagem de sete pontos para o peemedebista, com 36%, seguido de Jânio, com 29%. No final das contas, Quadros obteve 1.572.424 votos (37,53%) e FH, 1.431.300 (34,16%). Moral da história: pesquisas podem errar em disputas acirradas e pulverizadas.

Há 20 anos, não foi diferente na capital. O então governador Cristovam Buarque (PT) e o ex-governador Joaquim Roriz (PMDB) disputavam o segundo turno ao GDF. O petista tinha vencido o primeiro com 426.312 (42,67%) votos, enquanto o peemedebista alcançou 391.906 (39,23%).

A segunda etapa da eleição foi acalorada e acirrada, mas Cristovam permanecia à frente nos levantamentos, inclusive na pesquisa boca de urna divulgada pela TV Globo. Na apuração final, Roriz acabou se sagrando vencedor, com 537.753 (51,74%) votos contra 501.523 (48,26%) do governador da época.

Tudo indica que a disputa de 2018 ao governo de Brasília será fragmentada, com vários candidatos, semelhante à eleição presidencial de 1989.

Cantar vitória em um pleito que ainda nem começou é como bater a proa do navio no iceberg, vindo em seguida o naufrágio.

 

Da Redação

 

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