Todos os homens do presidente Ibaneis

Defensor da nova política, Ibaneis Rocha (MDB), ex-presidente da OAB/DF e candidato ao Palácio do Buriti, vive cercado de velhos nomes investigados em esquemas de corrupção

 

Por Fred Lima

 

Após a eclosão da Operação Lava Jato, alguns partidos mudaram de nome para tentar manter certa credibilidade perante a opinião pública. É o caso do Movimento Democrático Brasileiro, outrora conhecido como PMDB.

Governando o país desde maio de 2016, a legenda do presidente Michel Temer tentou se reciclar para sair da vala comum, trocando a camisa, mas mantendo a mesma etiqueta. O resultado foi a chegada de nomes representativos da sociedade civil, como o de Ibaneis Rocha. Porém, por trás de homens como o advogado, um pelotão de enrolados na Justiça atua nos bastidores para não perder a hegemonia.

 

Tadeu Filippelli (MDB)
Ex-vice-governador da administração que legou uma dívida bilionária à atual, Filippelli não era um mero coadjuvante de Agnelo Queiroz (PT). O presidente do MDB-DF coordenava a poderosa área de obras do governo, incluindo a construção do superfaturado Estádio Nacional, o que o levou para trás das grades ano passado por meio de um desdobramento da operação Panatenaico. Além disso, a Polícia Federal pediu novamente a sua prisão em maio deste ano por suspeita de desvios no BRT. No entanto, o pedido foi negado pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, em Brasília.

É ingenuidade pensar que Tadeu não terá influência em um provável governo Ibaneis, podendo voltar ao comando do setor de obras, bem como soa demagógico o candidato do MDB acusar apenas o ex-governador José Roberto Arruda de ser o “diabo” que fez Jofran Frejat (PR) desistir de disputar o pleito, sendo que o ex-vice-governador de Agnelo também estava na coligação do republicano.

Na propaganda eleitoral, Filippelli não menciona a sua experiência como número 2 do Buriti, talvez pelo desgaste que isso poderia causar à sua campanha.

 

Rôney Nemer (PP)
Apesar de o deputado federal presidir outro partido, todos sabem que a agremiação funciona como uma espécie de braço auxiliar do MDB na capital. O presidente de fato tem nome e sobrenome: Tadeu Filippelli.

Em junho, o STJ ampliou a inelegibilidade de Rôney para oito anos, em decorrência de sua participação na Operação Caixa de Pandora. Segundo o ministro Gurgel de Faria, há provas contundentes nos autos de que o réu foi nomeado em cargos no governo Arruda por interesse, em troca de apoio político.

Com o segundo maior tempo de TV da coligação Pra Fazer a Diferença, o PP, presidido na teoria por Nemer, exigirá a sua fatia do bolo governamental, se porventura Ibaneis chegar lá. Nesse caso, o pepista que deverá coordenar a divisão de cargos ofertados a seu partido.

 

Junior Brunelli (MDB)
Autor da “Oração da Propina”, o ex-distrital caiu em desgraça quando o vídeo vazou na imprensa e se tornou um escândalo nacional durante o auge da Operação Caixa de Pandora. Em 2012, ficou 10 dias na cadeia pela Operação Hofini, suspeito de ter desviado R$ 1,7 milhão em emendas parlamentares destinadas a idosos da Associação de Assistência Social Monte das Oliveiras (AMO).

Brunelli ensaiou uma volta à política neste ano, se reaproximando do presidente do MDB-DF. O gesto garantiu a ele uma vaga para disputar a Câmara Legislativa. Entretanto, o TRE-DF negou o registro de sua candidatura por estar com os direitos políticos suspensos por 10 anos, de acordo com decisão proferida pelo TJDFT, que o condenou por improbidade administrativa.

Sem poder disputar cargos eletivos, o pastor da Igreja Casa da Benção poderá se juntar aos demais e pedir a sua cota de cargos em um possível governo Ibaneis.

 

Benício Tavares (MDB)
Inelegível até 2019 por abuso de poder econômico na eleição de 2010, o ex-distrital perdeu o direito de disputar eleições, mas manteve a influência nos bastidores como importante aliado de Filippelli, auxiliando a legenda na formatação das chapas proporcionais.

É outro político que poderá ter força nos bastidores, indicando nomes para compor o Executivo, em caso de vitória.

 

Discurso e prática
O discurso de Ibaneis Rocha agrada a população que anseia pelo fim da corrupção. Contudo, seria impossível imaginar o término de práticas nefastas em uma coligação que tem os nomes mencionados acima, mesmo o ex-presidente da OAB/DF tendo assegurado que não nomeará fichas sujas, se eleito.

Estamos na era da nomeação por procuração. Ou seja, quando um político é barrado pela Lei da Ficha Limpa, ele indica um boneco de ventríloquo em seu lugar. Dessa forma, o esquema perdura de governo a governo.

 

Da Redação

 

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