O legado Roriz

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Há três anos, fiz uma análise sobre o tempo em que Joaquim Roriz governou o Distrito Federal. No campo da ética, o ex-governador cometeu muitos erros. Não é à toa que era ficha-suja. Todavia, no campo das realizações fez grandes obras, como o Metrô, Corumbá IV, Museu Nacional, Terceira Ponte etc. Além disso, bem ou mal, evitou que o Plano Piloto se transformasse em um favelão. Pode-se questionar os critérios na obtenção de lotes, mas era inevitável o crescimento populacional do DF. Desejo que os próximos governadores não o sigam no quesito ética, mas sim como realizador. Que ele descanse em paz!

 

A era Roriz: uma releitura oito anos depois de um dos períodos mais polêmicos da política brasiliense

 

Nunca votei no ex-governador Joaquim Roriz. Em 1998 e 2002, no auge da minha juventude, o enxergava como um populista que aproveitava a falta de conhecimento do povo mais humilde para colocar em prática seu projeto de poder. Confesso que ainda tenho algumas restrições quanto ao rorizismo, mas hoje, oito anos após sua saída do Palácio do Buriti, consigo analisar melhor e de forma mais acurada o período em que Roriz esteve à frente do GDF. Como descobri que Roriz não foi um governador ruim? Após o péssimo governo Agnelo Queiroz. No final do governo Agnelo, cheguei a dizer: que saudades do Roriz! Foi aí que descobri que o ex-governador não foi ruim para Brasília, pelo contrário, a marca de seus governos foi à inclusão social e as obras de infraestrutura que melhoraram bastante a vida do brasiliense.

Roriz nunca quebrou Brasília, como fez o PT. Em seus quatro mandatos como governador, a cidade jamais chegou ao fundo do poço, como ocorreu após o término do governo Agnelo. Cristovam e Arruda herdaram uma Brasília estável, sem grandes complicações. Os problemas que tinham já eram de praxe, assim como em todas as cidades do Brasil (violência, desemprego etc.). A saúde no governo Roriz foi disparada a melhor da história do DF, quando Jofran Frejat assumiu a pasta e promoveu uma série de melhorias. Não votei em Frejat, mas não posso deixar de reconhecer sua importância como secretário de Saúde. Vários profissionais da área reconhecem que o candidato do PR, derrotado na eleição passada, foi um divisor de águas quando tomou posse como secretário do governo Roriz.

E a distribuição de lotes? Eis o tema mais polêmico da era rorizista. Muitos acusam o ex-governador de promover o inchaço do DF, onde várias pessoas de outros estados vieram para Brasília em busca de moradia gratuita. Talvez faltou rigidez nos critérios que foram adotados na época para a obtenção de lotes, mas não podemos ser míopes a ponto de pensar que não haveria crescimento populacional no DF com o passar dos anos. Ora, Brasília é a capital do país. Claro que muitos moradores de outras cidades chegariam aqui de mala e cuia. Até hoje existe certa xenofobia por parte da elite brasiliense com relação aos moradores que chegaram depois na cidade. Os defensores de Roriz alegam que o então governador fez foi transferir as favelas do centro de Brasília para os assentamentos que depois foram transformados em cidades satélites (Samambaia, Recanto das Emas, Santa Maria etc.). Em favor de Roriz ainda consta um prêmio da ONU para Brasília como “modelo mundial de assentamento urbano” e um elogio surpreendente do deputado distrital Chico Vigilante, conhecido por ser um defensor incondicional do PT, reconhecendo a importância dos assentamentos feitos pelo governo Roriz.

Outro ponto polêmico foi à implementação das bolsas de distribuição de renda. E o que vimos? O PT, um partido de esquerda, criticar veementemente as bolsas da era Roriz, mas quando chegou ao poder fez uma cópia descarada de todas elas. A elite petista de Brasília dizia aos quatro ventos que Roriz era um governador que distribuía esmolas, mas qual é a política social mais importante do PT no Planalto? Parece que o feitiço se voltou contra o feiticeiro.

Pode-se criticar várias coisas que Roriz fez enquanto governou o DF, mas é incongruência não admitir que houve momentos importantes para a cidade durante seus quatro mandatos. Como foi dito lá atrás, Roriz nunca quebrou Brasília. Já o PT-DF…

 

Da Redação

 

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