Buriti 2018: o perigo de eleger governadores desconhecidos pelo povo

 

Por Fred Lima

 

Toda vez que o DF elegeu um governador não muito conhecido pela população, o resultado não foi bom. Em 1994, o experiente senador Valmir Campelo (PTB) foi preterido por um desconhecido ex-reitor da UNB, que nunca tinha sido eleito na vida. Um ano depois de sua vitória nas urnas, Cristovam Buarque (PT) já amargava uma das maiores rejeições do país, segundo reportagem da revista Veja na época. Não conseguiu ser reeleito e nunca mais se candidatou ao governo.

Dezesseis anos depois, a história voltou a se repetir. Ao contrário de Cristovam, apesar de ter sido deputado distrital, federal e ministro dos Esportes do governo Lula, Agnelo Queiroz (PT) não tinha apelo popular e proximidade com as camadas mais pobres. Ou seja, era outro desconhecido, que foi eleito com a ajuda do Palácio do Planalto. E o que aconteceu? Mais uma vez, Brasília pagou o preço, e o petista deixou o Buriti pelas portas do fundo.

Duas experiências mal sucedidas não bastaram. Em 2014, a capital resolveu apostar novamente em um candidato de um público de nicho específico, aliado de Cristovam, Agnelo e do PT. Rodrigo Rollemberg (PSB) foi secretário de Turismo, deputado distrital, federal e senador. Porém, assim como os governadores petistas, não era muito conhecido pelo povão. Seu público sempre foi mais concentrado no Plano Piloto e nas cidades-satélites de maior renda per capita. O experientíssimo Jofran Frejat (PR) perdeu a eleição para o novato da segunda geração política, e hoje Rodrigo pode sair do Executivo de uma forma pior que seu antecessor.

Na eleição deste ano, o advogado Ibaneis Rocha (MDB) deve ir ao segundo turno com a ex-distrital Eliana Pedrosa (Pros), de acordo com o último levantamento do Ibope. Assim como Cristovam, o emedebista é um representante da sociedade civil com pinta de intelectual, recebe apoio de Temer parecido com o que Agnelo obteve de Lula e vem da geração Brasília como Rollemberg. Parece uma junção de características idênticas com as dos três governadores impopulares.

Brasília já bebeu do cálice desconhecido em três ocasiões. Em todas elas, a ressaca chegou após a primeira taça. Se beber pela quarta vez, não será mais o caso de pedir música no Fantástico, mas de firmar atestado de ignorância no cartório.

 

Da Redação

 

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