Buriti 2018: a falta de autocrítica e a conquista dos indecisos

 

Por Fred Lima

 

Numa eleição, a autocrítica é fundamental para sanar erros e melhorar o desempenho na TV, nos debates e nas ruas. Para isso, os candidatos precisam se cercar de pessoas verdadeiras, que lhes digam na cara quando erram. Não existe algo mais nocivo em uma campanha política que os bajuladores de plantão, que culpam as pesquisas e o poder econômico do adversário, não as falhas dos postulantes que defendem.

O favoritismo do candidato ao Palácio do Buriti, Ibaneis Rocha (MDB), como mostra as pesquisas Ibope e Datafolha, revela a estratégia correta adotada desde o início da campanha pelo emedebista. Enquanto Alberto Fraga (DEM) polarizava com Rodrigo Rollemberg (PSB) nos debates e no horário eleitoral, o ex-presidente da OAB/DF mirava nos quatro primeiros colocados dos levantamentos, se apresentando como o novo entre raposas da velha política. A mensagem acabou sendo aceita pela população.

Todos os demais candidatos atingiram um teto de crescimento, ao passo que Ibaneis conquista os indecisos e cresce em uma espetacular linha vertical que parece não ter fim. O resultado se deve apenas ao poder econômico do advogado? De forma alguma. Essa desculpa é fabricada nas hostes dos puxa-sacos. Analistas sérios sabem que o poder de oratória e persuasão foi fundamental para o candidato do MDB chegar até aqui.

Em julho, quando Ibaneis cogitou retornar à disputa eleitoral após a desistência do ex-secretário de Saúde, Jofran Frejat (PR), o blog previu:

Se conseguir colar a imagem de jurista implacável com a corrupção, o ex-presidente da OAB-DF, Ibaneis Rocha (MDB), pode surpreender na eleição de outubro, desde que venha mesmo a ser candidato ao Palácio do Buriti.

Estreante na política, o emedebista teria a seu favor o tempo de TV e a ficha limpa, pré-requisitos necessários para conquistar os indecisos em uma competição pulverizada e sem favoritos.  No entanto, o estafe político que o cerca vai na contramão dos princípios éticos que a população anseia em uma coligação.

Deu certo.

 

Da Redação

 

 

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